O exterior das galerias à noite: a fachada cerâmica perfurada iluminada por dentro e devolvida pelo espelho de água. MACAM, Museu de Arte Contemporânea Armando Martins, Lisboa. Projecto de iluminação de Diana Delnegro Architectural Lighting.MACAM, Lisboa

Exterior das galerias

Museus e galerias de arte

MACAM, Museu de Arte Contemporânea Armando Martins

O MACAM abriu em 2025 num palácio do século XVIII na Rua da Junqueira, com mais de dois mil metros quadrados de arte moderna e contemporânea, um hotel e um restaurante na antiga capela. O projecto de iluminação é integral: arquitectónica e museográfica, do interior às fachadas.

O palácio foi reabilitado e ampliado pela MetroUrbe, e essa obra recebeu em 2025 o Prémio Gulbenkian Património Maria Tereza e Vasco Vilalva: o júri, presidido por António Lamas, apontou o equilíbrio entre a salvaguarda patrimonial e as exigências estruturais, funcionais e estéticas de instalar um museu e um hotel de cinco estrelas no mesmo edifício. O prémio é da reabilitação no seu conjunto, de que esta iluminação é uma das especialidades.

O conceito foi fazer acompanhar o tipo de iluminação à época das obras. A visita começa na Galeria 1 com temperatura de cor quente e direccionada, como se observássemos à luz de velas, e ao longo das salas expositivas, acompanhando a progressão temporal das obras, essa luz vai-se modificando: da luz quente e direccionada até à luz fria e brutalista da Galeria 2, onde se encontram as peças mais contemporâneas.

No museu a luz ajuda a ler as obras da forma mais subtil possível: evitando reflexos e encandeamentos, controlando a exposição das peças sensíveis e utilizando fontes de luz com reprodução cromática muito elevada.

O percurso foi desenhado por hierarquias: luz geral, luz de acentuação, luz de detalhe. Há pontos de foco, zonas de transição com menos contraste e pausas visuais entre salas, de modo que quem visita seja conduzido sem que lhe digam por onde ir.

As luminárias desaparecem na arquitectura. Encandeamento e reflexos foram tratados obra a obra, e todo o sistema é regulável para as curadorias que hão-de vir: um museu muda de exposição e a instalação tem de mudar com ela.

Nas galerias temporárias, o espaço foi coberto por uma rede de calhas e projectores que podem ser movidos e direccionados facilmente, de modo a que a iluminação se adapte a cada tipo de exposição.

A afinação foi feita com a curadora Adelaide Ginga e a sua equipa, sala a sala. É esse trabalho de colaboração que faz a diferença entre simplesmente iluminar e apresentar uma obra.

Âmbito do projecto de iluminação
  • Iluminação arquitectónica do museu e do hotel
  • Iluminação museográfica das exposições permanentes e temporárias
  • Quartos, apartamentos, restaurante e o bar àcapela
  • Iluminação de fachadas e jardins
  • Iluminação das obras atenta à conservação
  • Sistemas de controlo e cenários
Cliente
MACAM
Fundador
Armando Martins
Arquitectura
MetroUrbe
Interiores
Andrez Andrez
Curadoria
Adelaide Ginga
Localização
Rua da Junqueira, Lisboa, no antigo Palácio dos Condes da Ribeira Grande
Iluminação
Diana Delnegro Architectural Lighting, então Lightware

Museus e galerias de arteIluminação arquitectónicaIluminação de museus

O átrio das galerias de exposição temporária, sob o tecto facetado, com a luz recolhida nas dobras e a fachada envidraçada à noite.MACAM, Lisboa
Átrio das galerias de exposição temporária
O corredor de acesso a partir do estacionamento, com a linha de luz contínua no tecto a puxar a perspectiva e os nomes gravados nas paredes de betão.MACAM, Lisboa
Corredor de acesso
A escadaria exterior de acesso aos jardins e ao edifício de exposições temporárias, de noite, com os corrimãos iluminados por dentro a desenhar a subida contra o painel cerâmico ao fundo.MACAM, Lisboa
Escadas de acesso aos jardins e ao edifício de exposições temporárias
A galeria temporária, com a escultura no seu próprio círculo de luz sobre o pavimento e a abertura circular rasgada na parede a devolver o quadro da sala seguinte.MACAM, Lisboa
Galeria temporária
O átrio de entrada do hotel e do museu. A iluminação perfeitamente integrada no desenho do tecto quadriculado acentua a sua presença e profundidade.MACAM, Lisboa
Átrio de entrada do hotel e museu
A entrada da Galeria 1, com o texto de sala lavado por cornija, a porta de madeira ao centro e a escultura clássica iluminada dentro da vitrina.MACAM, Lisboa
Entrada da Galeria 1
A galeria de transição, com a calha de projectores a resolver montagens que mudam.MACAM, Lisboa
Galeria de transição
As Três Graças, de Miguel Branco, três figuras esqueléticas entrelaçadas sob uma redoma de vidro no nicho de alvenaria, iluminadas por dentro: a luz cai sobre o barro do pavimento e deixa a abóbada de tijolo a ler-se em volta.MACAM, Lisboa
As Três Graças de Miguel Branco em nicho de alvenaria
Uma sala da Galeria 1 sob as abóbadas de tijolo, com a escultura «Eva», de José Magalhães, ao centro e pintura nas paredes.MACAM, Lisboa
Sala da Galeria 1 · Eva, de José Magalhães
Uma sala da Galeria 2, com obras de vários artistas sob as abóbadas de tijolo: os fustes de pedra recebem luz rasante, cada obra é tomada pelo seu projector e a escultura de tule está suspensa da abóbada; o chão polido devolve a sala inteira.MACAM, Lisboa
Sala da Galeria 2 com obras de vários artistas
Uma sala da Galeria 2, com várias obras fotográficas e uma escultura ao centro: as calhas desenham o percurso no tecto e cada prova é tomada sem reflexo no vidro; ao centro, a chaise às riscas sobre o plinto.MACAM, Lisboa
Sala da Galeria 2 com obras fotográficas e escultura ao centro
Obras de pintura sobre vidro na Galeria 2: os painéis sobrepostos, com as figuras pintadas a projectarem a sua própria sombra na parede branca por trás e a luz a atravessar o vidro sem o acender.MACAM, Lisboa
Galeria 2, iluminação de obras de pintura sobre vidro
Uma sala da Galeria 1, com obras de José de Almada Negreiros e Lino António tomadas uma a uma pela calha, o vão aberto para a sala seguinte e o banco de madeira ao centro; o chão polido devolve a parede inteira.MACAM, Lisboa
Sala da Galeria 1 · Almada Negreiros e Lino António
Uma sala da Galeria 1, com a obra de José Malhoa em destaque, os projectores a acertarem em cada quadro e o chão espelhado a duplicar a sequência até ao fundo.MACAM, Lisboa
Sala da Galeria 1, com destaque para a obra de José Malhoa

Quartos

Um quarto do MACAM Hotel, com o painel de madeira terracota atrás da cama e a cornija de luz a percorrer o tecto.MACAM Hotel, Lisboa
Quarto, painel terracota
O mesmo quarto visto do outro lado, com os roupeiros lavados por cornija e o soalho em espinha a levar até à porta.MACAM Hotel, Lisboa
O mesmo quarto, do lado do roupeiro
A casa de banho do mesmo quarto, com a parede de cerâmica canelada terracota iluminada de raspão e o espelho redondo retroiluminado.MACAM Hotel, Lisboa
Casa de banho, cerâmica canelada
Um quarto em taupe, com apliques verticais a ladear a pintura e a cornija a lavar o tecto sobre os cortinados de linho.MACAM Hotel, Lisboa
Quarto, taupe
Uma pintura iluminada por projector estreito sobre a secretária de mármore, com o candeeiro de mesa a fazer a segunda camada.MACAM Hotel, Lisboa
Pintura e secretária
A casa de banho de uma suite, com cornija de luz a toda a volta do tecto, espelhos altos e banheira exenta.MACAM Hotel, Lisboa
Casa de banho de suite
A suite principal sob a cúpula pintada do século XIX, levantada por uma cornija de luz contínua.MACAM Hotel, Lisboa
Suite principal
Um quarto visto através do vidro fosco da divisória, com o tecto lavado por cornija e um candeeiro de pé sobre o soalho em espinha.MACAM Hotel, Lisboa
Quarto, através do vidro fosco
Um quarto em azul profundo, com a cornija a separar o tecto claro das paredes escuras e apliques a ladear a pintura.MACAM Hotel, Lisboa
Quarto, azul profundo
A casa de banho de um quarto da ala nova, com o duche em vidro canelado à esquerda, o espelho redondo retroiluminado sobre o lavatório de pedra e a prateleira de madeira lavada por baixo.MACAM Hotel, Lisboa
Casa de banho, ala nova

Espaços comuns

A escadaria monumental do palácio, com a cascata de globos de cristal a descer da cúpula sobre o corrimão de ferro forjado.MACAM Hotel, Lisboa
Perspectiva da escadaria monumental
A biblioteca do hotel sob a cúpula lavada por cornija, com luz linear integrada nas estantes, o lustre de cristal ao centro e os monogramas do palácio nas empenas.MACAM Hotel, Lisboa
Biblioteca
O corredor de um piso de quartos, com apliques lineares verticais na parede estucada e a cornija a lavar o tecto até ao fundo.Fernando Guerra
Corredor de quartos
A escadaria monumental vista de baixo, com os dois lanços a abrirem-se sob a cascata de globos e a enfiada iluminada ao fundo.MACAM Hotel, Lisboa
Escadaria monumental

Exteriores

A iluminação do palácio, dos jardins e da fachada do edifício de galerias temporárias: a fachada do palácio iluminada de rasgo, o espelho de água a devolvê-la, as guias de luz no pavimento e, à direita, a fachada cerâmica perfurada do corpo novo.MACAM Hotel, Lisboa
Iluminação do palácio, dos jardins e da fachada das galerias temporárias

MACAM, restaurante e bar àcapela

A sala do restaurante, com o tecto iluminado de rosa sobre as mesas postas, o balcão ao fundo e a fachada envidraçada à esquerda.MACAM, Lisboa
Sala do restaurante
A cafetaria do museu, com as prateleiras do balcão iluminadas por dentro, a parede azul ao fundo e as cadeiras de terracota sobre o soalho de madeira.MACAM, Lisboa
Cafetaria do museu
A fachada da antiga capela privada do palácio, hoje entrada do bar àcapela, à noite, lavada de baixo, com os cunhais, o frontão e as molduras das portas desenhados a luz contra o céu azul-escuro.MACAM, Lisboa
Fachada da entrada do bar àcapela, antiga capela privada do palácio
A cúpula da capela vista a direito de baixo. A luz ajuda a completar a ilusão do trompe-l'œil, criando a impressão de uma cúpula num tecto quase plano.MACAM, Lisboa
Cúpula da àcapela
O bar àcapela visto do piso nobre, com «Trinity», a instalação do artista espanhol Carlos Aires, acesa a vermelho no arco da capela-mor, e a cúpula pintada por cima.MACAM, Lisboa
Bar àcapela · Trinity, de Carlos Aires
O balcão do bar àcapela, sob o arco da capela-mor: os fustes e a abóbada lavados por baixo e, ao fundo, o painel negro e dourado de Carlos Aires sobre a prateleira das garrafas.MACAM, Lisboa
Bar àcapela, o balcão